A ______ foto de Beyoncé

Existem relatos de europeus que, quando chegaram no Brasil, diziam não aguentar o 'ruído' que os índios faziam. Eles se referiam à música indígena, que não cabia na categoria de música que eles conheciam e, portanto, era rejeitada.

A foto de Beyoncé ganhou repercussão esta semana. Nas piadas, nas sempre rápidas palavras, o Facebook e outras mídias mostraram o que traz de 'melhor': pré-julgamentos e o mesmo senso de superioridade do caso que acabei de citar acima.

Agora, com um pouco mais de contexto, sabendo a origem e referência do fotógrafo que fez as fotos, surgem as desculpas ou o orgulho: ainda continuo achando feio. Quando na verdade não tem nada a ver com achar feio ou bonito, a piori.

Um dos pré-requisitos atuais para os fotógrafos - colocados por eles mesmos e estimulado pelo mercado -  é viajar. Fazer fotos de outras culturas, do exótico. O tal do portfolio embelezado com lugares distantes.

Fantástico. Também amo isso!

Mas a falta deste auto-conhecimento, de entender que, sim, somos etnocêntricos, pode fazer estragos verdadeiros.

Apenas não esqueça que é o SEU olhar sobre o outro. E, provavelmente, isso também signifique que você pode estar cego sobre o outro.

A globalização é real e é também uma farsa. Ela faz a gente achar que tudo é do jeito que conhecemos. Traz o engano de uma cosmovisão unificada.

Respeitar o outro, naquilo que ele é diferente de mim. Compreender que para o outro também somos o outro. Compreender que nossas referências ou o trabalho que fazemos, por melhor que seja, não esgota nada. Aceitar que existem formas tão plurais de expressão, justamente ricas pela sua diversidade

A fotografia pode ser mais bela se tentarmos trilhar caminhos assim.