O poder da informação

Tirar foto, na maioria dos países africanos, é um risco e, consequentemente, um desafio. Isso se deve, principalmente, ao histórico militar, ao grande número de países que ainda contam com governos ditatoriais e a desconfiança - ainda que ao mesmo tempo atrativa - de tudo o que vem do Ocidente.

De uma maneira geral, qualquer branco com uma câmera é quase imediatamente identificado com a CIA ou FBI.

No Sudão do Sul, por exemplo, é preciso ter uma autorização que deve ser adquirida - diga-se paga e com curto prazo de validade - presencialmente na capital. Mas esta autorização não significará muita coisa. Uma porque o país conta com regiões dominadas pelos rebeldes, ou seja, que não reconhecem a autoridade do presidente. Outra porque uma mente militar sempre traz para o jogo as dinâmicas de poder. E o poder de dizer não é um poder gostoso de saborear.

O que me espanta é encontrar dificuldades de fotografar no Brasil. Talvez espante pela minha ingenuidade. Mas me pergunto o quanto isso é herança de uma ditadura militar e o quanto temos deste resquício nas nossas dinâmicas sociais.

Hoje, por exemplo, fui fazer uma pauta de utilidade pública. O único objetivo era informar a população sobre algo que não é apenas direito dela, mas que é campanha do próprio Governo para girar a economia.

- Não pode!

- Mas, senhor, vim aqui ontem, conversei com vocês.

- Tem que falar com a assessoria e já vou avisando que eles são muito chatos.

- Mas é uma pauta simples, sem perigo nenhum e justamente colaborativa para informar a população.

- Não pode!

Sou novo no jogo. Muito novo. Tenho muito que aprender e muitos contatos para criar. Mas juro que não consigo entender.

Minha única explicação é a do prazer de exercer autoridade coibitiva.

Tamo bem, Brasil!