O encanto da fotografia

O precoce adolescente de Budapeste que acabaria mundialmente conhecido como Robert Capa não aspirava ser fotógrafo. Queria ser escritor: repórter e romancista. Foi por acaso, não por escolha, que desviou, ou foi empurrado pelas circunstâncias, para a fotografia.

Assim escreve Richard Whelan na introdução de Ligeiramente Fora de Foco, de Robert Capa. 

E a medida que vou lendo histórias e biografias, vou descobrindo o quão comum é essa força da fotografia de trazer pessoas para si. Muitos deles artistas em alguma medida: músicos, arquitetos, escritores, poetas...

Tenho pra mim que esse encanto vem de momentos em que o que vemos no mundo precisa ser segurado, apreendido, guardado. Não apenas como memória. Não uma nostalgia, um olhar anestesiado no passado. Mais como uma tentativa de colecionar. Um desejo de que momentos de beleza se repitam, se expandam, sem se perder na desvalorização do comum. Um lembrete a todos sobre o que é a humanidade, ainda que muitas vezes tentando mostrar o que também ela não é.

Enquanto um mundo de fotógrafos se perde tentando aprisionar a exclusividade deste meio para si, alguns poucos ainda conseguem fazer com que a câmera seja apenas um meio. Enquanto uma multidão ainda bate no peito dizendo que o que vêem no visor de suas câmeras é propriedade exclusiva, alguns, e apenas alguns, ainda conseguem enxergar um mundo sensível frente a suas câmeras.