Construindo a foto: lições de vida.

Ainda estes dias estava lendo em um blog as tentativas de um fotógrafo em aplicar as regras de composição às suas fotos e a maneira como isso havia trazido frustração. Sua conclusão era de que havia de se declarar liberdade, anarquia, caminhando então rumo a criatividade desejada e ao resultado desejado.

Interessante…

Na música sempre tive uma relação parecida. Minha mãe, musicista de grande qualidade, sempre conseguiu ver na música a matemática, a lógica. Jamais consegui! Sempre que ela me perguntava como tocava tal e tal coisa, dizia que não sabia. Que era uma expressão do coração. No entanto não há como comparar o que saía de suas mãos com o que saía das minhas. A disciplina, o domínio da técnica, as horas de dedicação deram a ela não apenas a mesma expressão de sentimento que eu, às vezes, era capaz de comunicar. Deram também as ferramentas para executá-la, fazer a complexidade se tornar audível, simples e apreciável. Deu também o necessário para apreciar e julgar o que outros comunicavam.

O que, talvez, este fotógrafo não perceba é que todas as tentativas e horas de estudo fazem parte deste resultado que ele enxerga como liberdade e negação das regras/tentativas. Não são águas passadas, são águas que ainda sustentam seu barco. As tentativas que por ele parecem ter sido descartadas, hoje são mais parte dele do que ele mesmo possa conscientemente dizer.

Afinal, horizonte é isso. É a utopia. É o que sonhamos. O que queremos como destino. Está sempre a nossa frente. E ao tentarmos incansavelmente alcançá-lo, vivemos. Descobrimos então que a vida mesmo sempre esteve no caminhar e que todo chão que um dia pisamos, com alegria ou sofrimento, deu-nos um dia a mais pra admirar.