Nova Galeria: Plantar é viver

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Plantar é viver.

Para milhares de pessoas que vivem nas montanhas Lopit, ao sul do Sudão do Sul, plantar é o único meio de subsistência. Com apenas duas longas estações, chuva e seca, plantar também nem sempre é colher.

A rotina começa cedo. Ainda antes do sol raiar, o movimento começa nas vilas. As mulheres começam a preparar a comida e a ‘cerveja’, provendo a energia para o dia duro de trabalho.

Aos homens e meninos cabe o trabalho de preparar a terra para o plantio. Revolvem a terra e arrancam o mato com suas ferramentas adaptadas. Longos cabos, pesados, ou enxadas modificadas, com cabos em forma de ‘v’. É também trabalho dos homem jogar as sementes. E elas são, realmente, apenas arremessadas ao redor.

As mulheres colhem a grama deixada para trás. Elas também farão a colheita, em três ou seis meses, dependendo do grão plantado.

Nem sempre as plantações são próximas às suas vilas. As vezes é preciso andar 2 horas ou mais para chegar à plantação. Participar do trabalho do vizinho, parente ou alguém de sua comunidade é quase uma obrigação. O ‘favor’ garantirá a ajuda quando precisar. O pagamento é a alimentação do dia, sendo este também um dos motivos de não se conseguir ajuda. Quando não se tem condições de oferecer cerveja, ugali e vegetais ou carne, trabalha-se sozinho. Filhos são bênção, pois aumenta a mão-de-obra.

Nas montanhas Lopit a variedade não é grande. O sorgo é o principal alimento. Com ele fazem a cerveja e o ‘ugali’. Este não pode faltar nenhum dia. Plantam também amendoim, que irão misturar ao ugali. O acompanhamento é ‘pobre’. Um pouco de abóbora e um pouco de couve (uma espécie de couve, sucuma). O quiabo as vezes aparece. Quando há iniciativa de alguma ONG, tomate e berinjela. A medida que o acompanhamento vai acabando, vão colhendo tudo o que é verde e que sabem não fazer mal. Sempre há uma mulher em cima da árvore, pegando as folhas.

O sol é forte, mesmo na estação de chuva. Ela castiga o trabalhador, mas castiga também a plantação. Inibe o crescimento de muitas espécies, mas também mata as plantas em qualquer alteração na frequência das chuvas que passe de 10 dias.

Aqui não há o trator, nem nada automatizado. Também não há a química combatendo os milhares de insetos.

Por isso o papel do ‘rainmaker’, ou ‘fazedor de chuvas’ é importante para a comunidade. Trazer a chuva é trazer a vida. O ‘landlord’ também abençoa a terra e plantações. Seus dons sobrenaturais, para esta gente, é a garantia de que a terra não sofre com a maldição, seja ela qual for.

Vivem no limiar da fome. Vivem no limiar da vida. Os desafios são grandes, mas o tempo se repetirá. Com a próxima estação a certeza de que poderão reviver a possibilidade. Não é esperança que se aguarda, é a vida sofrida vivida em ciclos.