A Luz Nossa de Cada Dia

Estudando um pouco o livro Capturing Light, do Michael Freeman, me deparei com uma postura mais positiva com relação à luz e o que esperamos dela como fotógrafos.

Digo, muitas situações são difíceis de fotografar, entre elas a ‘luz dura’ e direta e é quase impossível fotografar com outra luz em Ohilang, Sudão do Sul.

A proximidade com a linha do Equador faz com que o sol seja forte durante todo o dia e as horas em que o sol está ‘a pino’ parecem intermináveis. A vegetação é baixa e raros são os lugares onde pode-se encontrar uma sombra adequada. Quando se encontra, a luz de fundo é sempre muito forte e sempre estoura nos ‘highlights’.

As sombras são extremamente duras, com os shapes bem definidos.

Interessante é que as sugestões trazidas por Freeman fogem das fotografias de pessoas – meu objetivo. E sim, é difícil fugir das sombras marcadas do rosto.

A estação de seca trouxe certos confortos. O laranja e amarelo da vegetação seca e da terra trouxeram um aspecto bonito pras imagens. Mas tenho muita dificuldade com a estação de chuva. O sol forte e direto na vegetação nova traz um verde muito contrastado, difícil de trabalhar.

Outra particularidade de Ohilang é que a vila está na encosta de uma montanha, na extremidade de um ‘U’ formado por uma cadeia de montanhas. É muito difícil conseguir uma boa angulação do sol para a ‘golden hour’. Pela manhã, a montanha da frente cobre o sol pelas primeiras horas do dia na maior parte do ano. O pôr-do-sol acontece na face de traz da montanha que vivemos.

Por causa da proposta que assumi aqui, não fotografo com flash.

Enfim, o desafio de fotografar sob estas condições tem me ensinado a pensar e pensar cada vez mais a luz. E a postura de não aceitar apenas ‘luzes ideais’ traz consigo possibilidades muito interessantes para a foto.